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Manifesto
Venho, por meio desta, manifestar-me. Dizem que “peru de fora não se manifesta” e, então, trato de por o peru pra dentro, de modo a que possa manifestar-me. Declaro-me, assim, contra qualquer tipo de tolhimento que possa ser usado contra as manifestações espontâneas que busquem a realização de algo, nos mais diversos campos profissionais e/ou filosóficos. Nada, portanto, de amarras que peiem, por menos que seja, o pensamento livre, o livre pensar e o livre agir, devendo-se ter cuidado, apenas, com o livre influenciar pois que, muita liberdade nas influências pode ser algo danoso. Manifesto-me contra a falta de visão geral, o arrolamento fácil da massa insana e ignota no afã de defender causas inúteis e/ou perdidas...Manifesto-me contra os apadrinhamentos, largamente usados nas ditas esferas mais altas e, mesmo, médias, onde vale a lei do “É dando que se recebe”...Defendo, outrossim, o livre arbítrio desde que, manifestado de modo coeso e comedido, respeitando o direito do vizinho de manifestar-se, também...A lei...a lei...O que é a lei? Em uma sociedade formada por mentes heterogêneas, a lei ou, as leis, foram criadas para garantir a manutenção do espaço de cada um, de modo a que se evite que invadamos o espaço de quem está a nosso lado e vice-versa. Este manifesto visa a defesa da lei racional e não, arbitrária, como deveria ser e, à vezes...muitas vezes, não o é. Quaisquer tipos de extrapolações são o alvo, também, deste manifesto o qual, coloca-se em posição contrária a eles. Exageros de quaisquer espécies não devem acontecer e, muito menos, ser alimentados. Excessos levam a novos excessos e, tudo o que é demais, prejudica...Manifesto-me contra os recalques, os rancores e a rispidez em certos comportamentos e relações. Aridez no modus vivendi é algo que deveria ser combatido em qualquer momento e qualquer local...Tradições são boas e necessárias à cultura e à historia de um povo. Boas em síntese afinal, mantém um elo com o passado mas, como os tempos mudam, as tradições devem dar, sempre, margem a pequenas quebras das regras estabelecidas em tempos de antanho e tidas como imutáveis...Nada é imutável, por mais que possa parecer...Seguindo adiante com este manifesto, faço-o manifestando-me contra a palavra ou, as palavras de ordem que impõem e não propõem. E, não propondo, nada põem de positivo em nossas existências...Manifesto-me, também, contra o cerceamento da liberdade; contra a necessidade  vazia da “máquina mãe” de subjugar, julgar e condenar, sem direito a apelações e, muito menos, defesas, arcaboiçada que está, essa máquina, pela força bruta que tudo pode e tudo faz. Apoiada pela mentira, pela ganância, pela desconfiança, pela insegurança, a máquina mãe faz e desfaz. Este manifesto volta-se, então, contra a ignorância que grassa  em todas as esferas. Ignorância em estado bruto que destrói o que desconhece. As ditaduras que erguem-se, caem, reerguem-se, renovadas, que são derrubadas e erguem-se, novamente, dispostas a manietar, pisar e manter por sob seus pés de barro, via de regra, calçados de botas e coturnos, o maior número de almas possível e, durante o maior prazo de tempo possível, quem dera, para sempre...Liberdade é do que precisamos e o que desejamos. Este manifesto posiciona-se  em favor da liberdade...Cânones governam quase tudo, impondo-nos padrões tidos como imutáveis mas, facilmente passíveis de revisões, senão periódicas, pelo menos, profundas e severas, quando acontecem. O culto à violência, a falta de espírito de coletividade e solidariedade, o individualismo egoísta e exacerbado, contra tudo isso este manifesto posiciona-se. O que desejamos é desejar e ter o direito de ter, assim como o direito de ser, sem, contudo, achar que o direito de obrigar o vizinho a ser, também, seja algo legítimo. Manifestem-nos, também, contra as “Palmatórias do Mundo” que existem desde entre os círculos familiares e de amizades até as lideranças e chefias, repletas de impositores e impostores demagogos este, cercados de adjuntos e bajuladores de plantão, em sua inestancável verborragia, ôca, desnecessária e nociva, capaz de mudar mentes mais simples, pelo perigoso poder da sedução e indução...Patrulheiros da “moral e bons costumes” que tem, não raro, “telhados de vidro” apoiados sobre paredes instáveis de hipocrisia e presunção...Berços máximos da falsidade e dominação através do medo e da sugestão, as religiões, em sua maioria, organizações fascistas, apegadas às suas crias bastardas, as seitas, apóiam-se em crenças seculares, tornadas em medo coletivo, lendas, crendices, obscurantismo e fetichismo para infundir o temor e a ignorância, apregoando serem as detentoras da verdade, do julgamento e da punição sendo, no entanto, meras invenções humanas, sem qualquer ligação com algo a transcender à simples realidade. Nossos lidere religiosos, nossos mentores e gurus escrevem torto por linhas certas, baseiam-se no bem e difundem o mal, em suas canhestras e mal sustentadas doutrinas. Não acreditar não é não viver; é exercer um direito ao lado do qual, este manifesto posiciona-se, também...Manifesto-me contra o que julgo ser errado e quem quiser que me julgue, também. Manifesto-me contra a incompetência, a falta de seriedade, de sinceridade, vindas de líderes elevados ao poder através da vontade popular mas, imerecedores de tal deferência e confiança. A auto sugestão, se produzisse ou, quando produzindo resultados positivos, seria preferível mas, nem sempre isso acontece não sendo pois, um caminho correto a ser seguido. Manifesto-me, outrossim, contra aqueles que, em nome de uma falsa e pretensa liberdade, cometem excessos, criando barreiras desnecessárias à compreensão global de um ponto de vista...Irrelevante para alguns, a razão de existir de muitos, o direito à liberdade é mais do que um conceito e, portanto, manifesto-me, plenamente, favorável a ele, o direito...Queremos mais, sempre mais, isso é certo mas, devemos saber querer para que os resultados obtidos tenham mais valor em nossa vida...Manifesto o meu repúdio a quem foge de tudo, buscando proteger-se e conseguindo, apenas, enredar-se nas malhas da solidão e do isolamento...Fugir nunca foi solução para nada. O enfrentamento é a atitude correta a ser tomada. Claro que há diferença entre fuga, vã e simples e “retirada estratégica” esta, não raro, sábia e necessária à sobrevivência ante alguma ameaça perigosa demais para ser encarada de pronto. Este manifesto vai contra a mentira, advinda do medo e, por conseguinte, ao próprio medo e a mentira, pura e simples de per si; aquela que visa prejudicar e que prejudica, assim como, a que prejudica por omissão, omissão da verdade, inclusive ou, principalmente. A verdade é necessária e este manifesto coloca-se a seu lado...Ser sócio da verdade é andar ao lado de um parceiro em quem se possa confiar. A mentira que prejudica deve ser evitada o máximo possível, como deve ser evitada a falsidade, a traição, a ilusão, tudo o que seja aparentado com a mentira. Este manifesto questiona a afetação e a superficialidade, não por julgá-las tão nocivas ao convívio em comum mas, devido a seu caráter defensivo, que propicia a que se possa esconder-se um comportamento sincero atrás de um outro, falso e planejado para parecer aceitável ante qualquer ponto de vista. Refugiando-se atrás de pequenos detalhes, está quem encontra-se receoso de enfrentar a vida, em todas as suas cores. Quem foge da vida, literalmente, não vive e, em certos casos, há quem, por medo da vida, foge de forma real dela, pondo-lhe um fim, sem chances de reversão do quadro. Este manifesto coloca-se, vivamente, contra o suicídio e os suicidas que violentam as sagradas leis básicas da natureza por motivos vários, todos eles sem qualquer consistência, alguns inteiramente fúteis e irrelevantes...Apenas a loucura explica mas, não justifica  um ato como o do suicídio; quem considera-se são, jamais desiste de sua vida em troca de nada, literalmente...Manifesto-me, a seguir, contra a tirania, a opressão, as guerras, a crueldade, a marginalidade, o crime -organizado ou não-, contra tudo, enfim que, de ruim existe...Encarado sob alguns aspectos, este manifesto poderia soar maniqueísta ou frívolo mas, de fato, não é assim e isso ficará esclarecido em seu devido tempo, não necessitando que esse tempo seja aqui e agora. Manifesto-me contra o que acho que exista de mau, no mundo e a favor do que julgo que julgo que seja bom. Cada ser humano tem o direito de manifestar-se quando julgar que seja necessário mas, nem sempre é isso o que acontece. Quando o regime vigente é o das trevas, quando o totalitarismo impera, absoluto, não há manifestos...há medo e silêncio...Caem os tiranos, caem os regimes desumanizantes e fica, apenas, o que sobrou do que foi oprimido e brutalizado e, por vezes, o que sobra é bem pouco...Mas esse pouco tem a oportunidade de recuperar-se, revigorar-se, crescer e frutificar...por vezes, tal não acontece e o que reta é, apenas, o fim...E o que reta é, uma imensa desordem, uma apatia contagiante, um desespero mortal, uma desesperança revoltante e um medo angustiante do que possa estar para vir, tudo isso traduzindo-se em um fardo muito pesado para qualquer um carregar. Ainda que vivamos para ver algumas vitórias, as derrotas têm um peso que beira o insuportável  e, contra isso, manifesto-me, também. Por vezes, dá para se ver a tal luz no final do túnel, por vezes, não. A esperança insiste em manter-se viva, alicerçada pela teimosia que temos, desejosos de ver as coisas bem e, em seu lugar e, então, manifesto-me a favor da esperança e da teimosia positiva que faz querer-se melhorar, fazer progredir e viver  para se ver o resultado de tanta teimosia...Para se morrer, basta estar-se vivo, diz o ditado e, este manifesto volta-se contra a morte inútil e imerecida; a morte vazia, impessoal e abjeta. A seguir, manifesto-me a favor de inteligência, da sabedoria, da continuidade, da bondade e do espírito solidário que permeia a sociedade, como um todo mas, a sociedade que se preze e que tenha arcaboiço suficiente para auto denominar-se assim...Lentamente, nos voltamos para nosso passado, buscando bons exemplos e ensinamentos úteis. O passado tem, sempre, muito a dizer e, quando é solicitado, diz, de bom grado. Nosso mundo somos nós que o fazemos, por vezes, com música e, por vezes, com explosões e, há casos em que as explosões são altamente benéficas mas, apenas, quando acontecem em sentido figurado e não, no sentido literal e destrutivo d palavra...O mundo alimenta-se de vida, da vida que recebemos para que façamos dela o que bem desejarmos, usando o tão propalado “Livre Arbítrio”...A vida alimenta-se de objetivos e os objetivos, ou “alvos”, alimentam-se de oportunidades...Mas, o que é a vida? Qual o seu sentido? Não há, apenas, uma resposta para cada uma dessas questões mas, todo um leque de opções a serem escolhidas a nosso bel prazer . Este manifesto coloca-se  a favor disso, da vida e do que ela tem de tanto e de bom para oferecer. A mais elementar das questões solicita miríades  de opções de respostas e essas respostas deverão ser buscadas e objetivadas...Respostas é do que mais precisamos e, manifesto-me a favor disso, também, com o vivo interesse de saber e aprender, sempre, mais e mais. Sinceridade, honestidade, bondade, solidariedade, a soma disso tudo faz o mundo, somos nós que o fazemos, para suprir nossos propósitos de vida...São motivos, justificativas e deliberações que se fazem necessárias, em cada questão levantada em busca de soluções. Porque não viver neste mundo se não há outro mundo?...ainda...Somos todos iguais nesta noite...e neste dia, ao compasso da dança da vida. O povo precisa de amor e liderança; o mundo precisa de paz, a paz é sagrada e venerada. A liberdade é um bem circunscrito em si mesmo. O mundo é um grão de poeira, perdido na imensidão dos vastos campos do céu e assim será até que tudo acabe...Mas, até o momento, o mundo não acabou e continuará por um tempo indeterminado, previsto, apenas, em teorias...Manifestemo-nos a favor dele, enquanto tivermos ânimo para viver e força para lutar, além de união, coesão e entendimento, enquanto tivermos o desejo de manifestarmo-nos , disso é feita a matéria  de que constituem-se os sonhos que sonhamos a cada noite, para esquecer logo depois, ou não, no dia seguinte...Manifestos e manifestos possam sair de nossas bocas e mãos, vindos de nossas cabeças e almas afinal, disso é feita a vida e precisa sê-lo, cada vez mais, enquanto restar um sopro de vida e de ânimo na alma de cada ser vivente, consciente e pensante, questionador do grande mistério da vida. Assim o é e assim deve ser pois, as forças criadoras da natureza assim o querem...E, acima de tudo, sejamos fiéis a nós mesmos, a nossos ideais a nortearem  nossas vidas, no sentido de torná-las melhores, a cada dia, semana, mês, ano, década, a cada geração, afinal...A favor de tudo isso e, por tudo isso, este manifesto manifesta-se.
celso dyer
Enviado por celso dyer em 16/12/2017
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