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Verdade

Era uma vez, uma menina que saiu de casa em busca da verdade...Mas, que verdade?...Certamente, a sua própria isso porque, cada um de nós tem a sua verdade, sabendo como ela é ou, não...Partindo desse princípio podemos, então, dizer que a garota saiu de cãs em busca da sua verdade, a verdade que apontar-lhe-ia caminhos e nortearia seus passos pelo mundo afora...Mas, que verdade seria essa? Na verdade, a garota não o sabia e, aliás, ninguém no mundo inteiro, sabia...Teimosa e determinada, mesmo a despeito de sua imensa fragilidade física ante um mundo ameaçador, a menina prosseguiu e andou e andou pelo mundo, perguntando, pesquisando e procurando...A certa altura de sua vida e de seu caminho, longo, acidentado e tortuoso, ela encontrou um grupo de crentes que, convictos de que tinham o conhecimento da verdade absoluta em todos os seus meandros e sua filigranas, apressavam-se em espalhá-la a seu redor, sem questionamentos por parte dos “doutrinandos”. Curiosa acerca de tamanha confiança em sua crença mas, desconfiada dos métodos utilizados para expandir uma suposta “ verdade absoluta” a menina decidiu-se por acompanhá-los, “pagando para ver “ se, no decorrer de sua nova e iniciante jornada, teria alguma certeza ou mesmo, ou vislumbre de...O tempo passou, a jovem estudou a nova doutrina mas, não foi longe...Ao tentar aprofundar-se nos estudos daquela nova crença, esbarrou em mil obstáculos que iam de “ paredes sólidas” onde nada poderia ser encontrado, a “portas sólidas” com sólidas fechaduras, trancadas, as chaves em posse dos “grandes sapientes” que não dividiam seu conhecimento com ninguém, aconselhando que os procuravam, em busca de respostas a “simplesmente acreditarem, sem questionar nada e serem felizes assim”...Após algum tempo de inútil e infrutífera busca, a garota concluiu que, durante todo o tempo em que acompanhara aquela gente, apenas andara em círculos, não chegando a lugar nenhum...Não decepcionou-se com isso, todavia afinal,secretamente, já esperava por algo assim...Seria fácil demais se a verdade estivesse com aquela gente, sua procura terminaria e ela seria feliz...ou não mas, não fora o que acontecera...Com a cabeça cheia de questionamentos e perguntas, ela prosseguiu, após largar do grupo, bem no meio de uma acalorada discussão sobre nada, retomando seu caminho, brevemente interrompido...

Cresceu a menina, coberta de dúvidas. Encontrou seu par, formou com ele, uma família e deixou a família da qual viera, em cujo seio, nascera...E prosseguiu procurando, enquanto cuidava de crianças, da casa, de seu consorte e de si...Durante sua jornada, encontrou pessoas que fugiam da verdade como o Demo foge da cruz...Achou outras que tinham uma obsessão absoluta pela verdade mas, apenas a verdade da vida dos outros e, a verdade absoluta, isso ela jamais encontrou...Em um livro antigo, ainda criança, a menina lera o que uma boneca de pano disse, certa vez: que a verdade era, tão somente, uma mentira, tão bem elaborada e bem contada que ninguém, nunca, sequer desconfiaria de que era uma mentira...Seria isso, afinal, sua tão procurada verdade?...Foi então que ela começou a desconfiar da globalidade das coisas, do absolutismo total a pregar algo que suplante tudo o mais, tanto na natureza quanto na natureza humana...
celso dyer
Enviado por celso dyer em 16/12/2017
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